IFÁ

A ORIGEM DO CULTO.  

 

Não é sem motivo, pela importância de Orunmilá, que possua um culto exclusivo, independente e superior aos demais, com cargos sacerdotais e liturgia próprios.

Oriundo de Ifé, o culto se propagou por diversas regiões do Continente Africano, desde a Nigéria Ocidental até o Baixo-Togo onde ocupa uma região que se estende até a fronteira do antigo Império do Dahomé além de todos os países pertencentes à etnia ioruba.

Sabe-se, porém, que não chegou ao conhecimento dos povos bantu do Sul da África, que possuem um outro sistema de adivinhação denominado "N’Gombo"1.

Ifé, aqui citado como região de origem do culto de Orunmilá não pode, todavia, ser confundido com a cidade de mesmo nome localizada no Sudoeste da Nigéria, possuindo uma conotação bem mais mística e profunda do que o de uma simples situação geográfica

2. Zunnõ, o informante de Maupoil anteriormente mencionado, afirmou que Ifá foi revelado através dos 16 signos oraculares principais (Odu-Meji) por Mawu ...”sobre uma pedra retangular branca instalada por Mawu em Meca... De cima para baixo (na referida pedra) estão inscritos as letras do alfabeto árabe, os 16 signos principais de Ifá e os caracteres latinos...

”3 Meca teria sido, segundo Zunnõ, o local onde surgiu o culto, sendo daí transportado para outras regiões, tendo então se estabelecido em Ifé, onde foi criado o primeiro centro de estudos de Ifá e de culto de Orunmilá.

A origem árabe do sistema oracular de Ifá pode ser comprovada de diversas formas muito mais “seguras” que uma simples declaração feita por um babalaô.

1 - As figuras que compõem o sistema de Ifá são perfeitamente iguais às que compõem um sistema divinatório de origem oriental denominado “Geomancia Árabe”, muito usado também na Europa onde, após as devidas adaptações culturais, recebeu o nome de “Geomancia Européia”4.

2 – Em todos os procedimentos do oráculo de Ifá, tudo é feito, escrito, lido e interpretado da direita para a esquerda, maneira adotada pelos árabes para escrever, ao contrário da forma ocidental.

3 – Em Madagascar existe um sistema de adivinhação denominado “Sikidy” que não tem qualquer relação com Ifá, embora utilize signos de configurações idênticas aos Odus de Ifá.

Segundo se afirma a introdução do sikidy em Madagascar foi feita por imigrantes de origem semita que falavam e escreviam em árabe. Este fato nos leva a concluir que Ifá e o Sikidy possuem uma origem comum: a Geomancia Árabe.

4 - A palavra “fá” usada pelos fon da mesma forma que “Ifá” pelos nagôs e “Afã” pelos minas do Togo pode ser encontrada no idioma árabe onde significa “sorte”, “augúrio”

5 – Na Pérsia, nos séculos VIII e IX, ou seja, na florescência da cultura iraniana, a Geomancia era matéria ensinada em Universidades célebres como a de Bagdá e estudada pela elite intelectual da época.

Foram os sábios formados nestas mesmas universidades que, junto com a filosofia e a ciência adquiridas, levaram a Geomancia à Alexandria, ao Cairo, ao Sudão e à Europa, tendo aí como porta de entrada a Espanha, onde a influência da civilização árabe ainda hoje é notável.

É Epega, o africano, quem afirma: “...Os símbolos Odu são muito antigos.

Eles originaram de Orunmila em Ile-Ife.

Sinais similares parecem ter sido usados no Egito (anteriores pelo menos a 3.000 aC). em Trípoli, Senegal, Futa, os Estados Hausa e outros lugares na África.

E a este respeito nós não conhecemos mais do que nossos ancestrais que disseram que Ile-Ife foi o lugar onde as pessoas pela primeira vez conseguiram a luz de seu conhecimento...”

6 Para fechar a questão destacamos, da obra de Frikel, a seguinte firmativa: “Ifá pertence ao Mussurumi e é verdade que, como demonstram Trautmann e Maupoil, a adivinhação de Ifá parece ser de origem muçulmana”

7. NOTAS 1 - O contato dos povos pertencentes a esta etnia e originários do Sul da África com o oráculo de Ifá, teria sido posterior ao trágico transporte de negros escravos para as colônias do Novo Mundo.

O culto praticado por estes povos é hoje conhecido no Brasil como “Candomblé de Angola” e teriam assimilado, aqui, as técnicas oraculares referentes ao Ifá com os povos de origem nagô ou fon.

2 - Os versos de Ifá fazem referência a sete Ifé.

O primeiro, e possivelmente o original é Ifé-Oòdáyé. Os outros são Ifé-Nleere, Ifé-Oòyèlagbòmoró, Ifé-Wàrà, Òtù-Ifé, Ifé Oòrè e Ifé-Oòjó. (Abimbola, 1977, p. 5).

3 - “... sur une pierre rectangulaire blanche intallé par lui à la Mecque" ... De haut en bas étaint inscris: les lettres de l'alphabet árabe, les seize signes principaux de Fá et les caracteres latins...” ( Maupoil 1988 ).

4 - Em outro local deste trabalho o leitor poderá encontrar uma tabela comparativa onde cada uma das dezesseis figuras oraculares é apresentada com os nomes pelos quais são conhecidas nos três diferentes sistemas.

5 -“Fá” ou “fa’lun” = Augúrio / “mujarrib el fal” = aquele que prevê o futuro, adivinho (Maupoil, 1988).

6 - Epega, 1987.

7 – Protasio Frikel – Die Seelenlebre dar Gêge und der Nagô. (Citado em Bastide e Verger, 1981).

Orunmila-Ifá o Òrìsà do Destino 

 

Òrúnmìlà-Ifá, ocupa uma posição única no panteão africano, através dele podemos decifrar o código secreto espiritual de qualquer ser humano, comunidade ou Nação, pois nele está inciso o poder da criação.

Na ordem divina de Olódùnmarè o espírito é eterno, e através de Òrúnmìlà-Ifá conseguimos obter a soma total de nossa existência, a nossa ligação com o Universo, e o destino que escolhemos para voltar a vida quando nascemos.

Ele é o diagnóstico de nosso Elédà (mente superior), sabendo tudo o que aconteceu no passado, está acontecendo e qual será o nosso futuro.

Òrúnmìlà- Ifá é a tradução da sabedoria infinita de nosso Deus criador, aquele que tudo sabe, tudo vê, é o verdadeiro elo de ligação entre o homem e o criador.

Na Cultura Yorùbá são os elementos da natureza que dão condição de vida no planeta, a água, o fogo, o ar, e a terra.

Estes se apresentam de inúmeras formas que se multiplicam primeiro em dezesseis, sendo o número dos primeiros Òrìsà primordiais, que vieram para ajudar a construção do planeta sob todas as formas de vida, ou os dezesseis Odù, a tradução literária de todos os problemas do homem, e neles estão contidos toda a sabedoria da criação.

Ifá transmite sua palavra através dos dezesseis Odù, e estes são a expressão da natureza que é a fonte de energia que movimentará e determinará a personalidade da pessoa.

Estes Odù, multiplicados por mais dezesseis perfazem 256 tipos de divindades diferentes entre si, com atributos próprios e cada um conterá uma complexidade de inúmeros caminhos ao qual servirão para auxílio da raça humana.

Em nosso princípio ancestral, todos nascemos da terra, veja a composição de seu organismo que é composto de água, minerais, ferro, e assim por diante, portanto é natural que para encontrar o equilíbrio de nossa vida também façamos uso dos elementos que saem da própria natureza.

Toda a criação Divina tem uma função determinada para auxiliar a sobrevivência em equilíbrio entre as forças negativas e positivas. Como nada será feito de importante sem antes consultá-lo, quando um bebê nasce, entre o terceiro e quinto dia após seu nascimento ele é levado ao Bàbáláwò para que se faça uma consulta a fim de saber qual será o destino desta criança, recebendo tratamento para que o rumo de sua vida seja o melhor possível.

Qualquer caso de saúde, casamentos, financeiro, amoroso, depressão é revelado através de divinação, que além do problema apresentará as possibilidades de melhorar a situação determinando o que poderá ser feito para atrair a sorte, a paz e a felicidade de cada um.

O Culto a Ifá envolve as oferendas, proteções que são feitas com as magias, e a cada novo ano ele será consultado para saber o futuro da comunidade.

Sua importância é tanta que será através da consulta ao Òrìsà que um novo rei será eleito, uma vez que pode conhecer a pessoa ideal para ocupar qualquer cargo tanto como um líder, ou outro tipo de ocupação, estas são marcas que já trazemos de nosso espírito ancestral.

Se após a consulta for determinada a realização de algum sacrifício para um Òrìsà, não se pode esquecer a parte dedicada a Èsù, pois ele é a energia que transformará a sua necessidade, enquanto matéria, em energia sutil a fim de que seu pedido chegue a Olódùnmarè. Ele é simbolizado por trinta e dois caroços de um tipo especial de palmeira de dendê, os quais apresentam quatro ou mais "olhos", ao invés de apenas dois, como nas palmeiras comuns.

Antes de serem servidos ao Òrìsà, os caroços deverão ser preparados especialmente à Ifá, para só depois serem manipulados pelo Sacerdote de Ifá para fins de divinação, e só podem ser extraídos por homens.

Quando uma leitura não favorece o consulente, não é necessário ficar em desespero, pois Ifá poderá ser consultado novamente para informar qual o melhor procedimento para eliminar o obstáculo que lhe entravam a felicidade.

O animal necessário para o sacrifício só será determinado através da divinação, e após ser efetuado, o consulente deverá apresentar-se mais uma vez perante o Òrìsà a fim de saber se ele se satisfez.

Entre os Yorùbá, os Sacerdotes dedicados a Ifá pedem sua benção todos os dias pela manhã, e uma vez por ano promovem uma festa em sua homenagem.

Os Iniciados no Culto a Ifá Para aqueles que receberam em seu Ori, a primeira mão de Ifá, após passarem pelos rituais de iniciação, podem ser considerados portadores de um bem inestimável, com ele reencontrarão o caminho de seu destino primordial, puro, limpo de todas as mazelas que adquirimos durante a vida; é um reencontro com nossa transcendência.

Mas, é necessário esclarecer que para fazer juz a este direito também será preciso uma altíssima reconsideração de suas atitudes perante a vida, pois este ser não fará mais parte daquilo que chamamos do inconsciente coletivo que prevalece na raça humana, a partir de então passará a ser ele um indivíduo único, diferenciado, o qual terá de cumprir suas obrigações em relação a Ifá com respeito e dignidade a fim de poder receber o verdadeiro Àse e como conseqüência assumindo perante a si próprio responsabilidades muito grande, que se não cumpridas poderão trazer graves conseqüências. 

 

 


ÈLA

É: o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem.
ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU.
O significado deste princípio primordial que se chama ÈLA é que, sem ele, nosso mundo seria um caos total.
A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Yoruba.
Em função disso ÈLA não foi definido.
Na tradição oral existem muitos que dizem que ele "é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles " ou que " é o seu empregado de confiança". Essas afirmações tem um fundo de verdade e nós vamos ver porque.
Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes, ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento.

ÈLA é chamado de "aquele que mantém o mundo acertado". Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE.

ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN - " ÈLA é o preferido de OSIN" - o que é OSIN ? Para o Yoruba, OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE.

Vamos à criação. De acordo com a tradição, ORUNMILA desceu à terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente.
Para ilustrar esse papel, vamos transcrever uma história do ODU ODI IWORI;

ÈLA Iwòri ni kì jéki aiyé ra 'jú;
Nigbati aiyé Oba-'lufe darú,
ÈLA Iwòrì l' o bá a tún aiyé rè se;
Nigbàti awon o-dà-'lè ìlú Akilà ba aiyé ìlu won jé,
ÈLA Iwòri l' o ba won tún u se;
Nigbati òsán d' òrun ni ilù Okèrèkèsè,
Ti aiyé ìlú nã di rúdurùdu
Ti awon awo ibè bà a tì,
ÈLA Iwòri l' o ba Olúyori Oba ibè tún u se;
Nigbàti élègbára bá nfé s' ori aiyé k' odò,
ÈLA Iwòri ni' ma dùdú ònà rè;
ÈLA Iwori kì' gb' owó,
ÈLA Iwòri ki' gb' obi,
On l' ó sì ntún ori ti kò sunwòn se.

Tradução;

ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína
Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso
ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem
Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade
ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo,
Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito)
E os sábios do lugar foram desviados. ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a
ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio,
Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo,
ÈLA IWORI foi quem o obstruiu,
ÈLA IWORI não recebe dinheiro,
ÈLA IWORI não recebe OBI
Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares, poderemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de "letargia" em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando à ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo e então o difamaram. Em função disso, conta a tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de um corda esticada. Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.

Vamos a outro verso:

ÈLA s' ogbó, s' ogbó
ÈLA s' ató, s' ató
O f' òdúndún s' Oba ewé
O f' Irosùn s' o sòrun rè;
O f' Okun s' Oba omi
O f' osa s' osòrun rè;
A-s' - èhin-wa a- s'-èhin-bò
Nwon ni ÈLA kò s' aiyé re;
ÈLA b' inu, o ta' kùn, o r' òrun;
Omo ar'-aiyé tún wá nkigbe:
ÈLA dèdèrè I' ó mã sòkalè wa gb' ùre.
ÈLA dèdèrè

Tradução

ÈLA realmente fez a velhice
ÈLA realmente fez a vida longa
Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas
Ele fez de IROSSUN o seu sacerdote.
Ele fez do oceano o rei das águas.
Depois de tudo, e ao final,
Eles pronunciaram que ÈLA havia conduzido o mundo pelo caminho certo.
ÈLA se ofendeu, ele estendeu uma corda e subiu ao céu.
Os habitantes do mundo mudaram de opinião e passaram a chamá-lo.
ÈLA, volte a nos abençoar
ÈLA, volte!.

Nessa linha ÈLA é referenciado como um libertador. Neste papel aparece a sua ligação com ESU. É sabido que ESU é a dinâmica de todas as coisas, instaura a desorganização geradora de uma nova ordem, num processo contínuo de desenvolvimento do mundo, a dinâmica que faz o mundo andar. Se considerarmos que ÈLA é o princípio da ordem e ESU provoca a desordem e se em algum momento imaginassemos que a desordem provocada por ESU levasse ao caos, somente a interferência de ÈLA como princípio poderia garantir uma nova ordem. Desse modo, podemos dizer que ÈLA trabalha juntamente com ESU, especificamente na tarefa de restabelecimento do equilíbrio.

ÈLA como princípio é de suma importância na vida dos sacerdotes em nossa religião, pois o papel dos sacerdotes é manter e instaurar a ordem. Portanto como isso poderia ser feito sem a interferência de ÈLA?
Vamos à uma outra consideração: Realizar ÈLA significa carregar ISI. O que vem a ser isso. Vamos contar duas histórias para depois tentarmos concluir essa afirmação.

Existia uma localidade onde os reis não duravam mais de três anos e então eram substituídos - o próximo morreria antes de três anos e assim sucessivamente. A família de onde esses reis eram oriundos era muito rica e o poder era algo extremamente cobiçado, mas o fato da morte prematura era um empecilho para que eles quisessem se tornar reis.

Foram consultar ORUNMILA e no jogo apareceu o ODU OGUNDA OFU, significando que todos os reis tem um ORISA ao qual devem saber cultuar antes que lhes seja entregue o OPA.

Uma outra história trata de um Rei que num determinado tempo teve suas esposas (6), seus filhos e servos (7) contra ele; suas esposas não queriam mais se relacionar com ele; seus filhos voltaram as costas para ele, bem como seus servos. O rei revoltou-se e, munido de seu Opa e de uma espada, saiu à procura deles, que haviam fugido.

O rei então falou que eles deveriam carregar ISI, sem o que não seriam perdoados. Os filhos então pegaram 4 inhames e ofereceram para o Rei (que era o próprio ORUNMILA). Prepararam o inhame e o levaram para o Rei, carregando-o na cabeça.
O rei então disse que precisaria matar um deles; os filhos responderam que eles haviam feito o que ele havia pedido. O rei perguntou se era ISI macho ou fêmea. Eles responderam que era ISI feminino.

Ele ouviu e não soltou o Opa e a espada. Eles pediram três vezes que ele os soltasse. O rei então respondeu:
"Onde vocês ouviram que esposas, servos e filhos não fizessem o que o Rei quer ?"
"Assim, antes que eu largue o Opa e a espada, vocês tem que prometer carregar ISI sempre. Só assim eu os perdôo."

ISI significa carrego de submissão e homenagem. Ou seja, curvar-se diante do sagrado, do superior, do maior.
Para se falar em ordem temos que falar em respeito e homenagem, em submissão à um princípio maior que nos proporcionará a felicidade. Aprender que antes de tudo devemos agradecer, louvar e cultuar.

ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos, tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.

 

 



Para finalizar vamos transcrever uma cantiga de ESU:

ESÙ fi ire bò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
ESÙ gbè ire ajè kò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
IYA-MÒGÚN fi ire bò wà o.
ÈLA fi ire bò wá yà yà.

Tradução;

ESU, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
ESU, ponha sorte e progresso em nossas vidas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
IYA MOGUN, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.

 



ÈLÁ CONSERTA O MUNDO

Considerado o principal Òrìsà no culto de Òrúnmìlá, ambos são feito embaixo de uma palmeira e apresentam Ikin.

A história conta que Èlá tem uma relação de muita afinidade com Ifá, por isto em yorubá é considerado a Àgbonnìrégún -filho de Ifá.

Mas para alguns é considerado mensageiro de Òrúnmìlá e para outros é apenas seu amigo.

Mas independente da história apresentada, Èlá é considerado o principal Òrìsà no culto à Òrúnmìlá, e se forem observados a característica e o culto dos dois descobre-se que ambos apresentam em suas oferendas Ìkín, e essas são feitas debaixo de uma palmeira.

O ano yorubá começa com a festa a Èlá, depois Ifá, sendo que 16 dias depois da festa a Èlá homenageia-se Òrúnmìlá sempre lembrando Èlá, mostrando afinidade entre os dois Òrìsàs.

A única diferença é que Èlá usa o dente de elefante.

Os yorubás acreditam que Èlá veio ao mundo para consertá-lo, por isto é chamado Alátunse ilé-àiyé, e dentro da história aparecem como sócios.

Se foi assim, então Òrúnmìlá traz dentro de si Èlá que é chamado de Osin (rei ou lider), Èlá também pode ser chamado de filho de Olódùnmarè e até hoje os yorubás espetam elé (uma folha), para dizer que ela nunca fica murcha comparada com outra folha.

Afirma isto porque existe uma ligação entre esta folha e Èlá e sua energia é tão forte que algumas pessoas a plantam em cima da casa. Acreditam que desta forma vão protegê-la.

Como ser humano Èlá é paciente, levando paz e transformando os problemas em coisas boas.

Èlá é um Òrìsà que concerta Orì (cabeça). Sempre entra em guerra com Èsù, quando este quer usar sua força negativa, acalmando-o.

Èlá tem grande força para levar a tranquilidade para uma cidade, além de muita energia positiva, ajudando o homem sem pedir nada em troca.

 

O fundamento da adivinhação em Ifá é a habilidade em interpretar os Odù (o texto sagrado da divinação em Ifá) sob a direção e influência de Ela, o Espírito de Luz ou o Espírito de Pureza. 

 

A palavra Ela é uma elisão do pronome pessoal 'e' com 'alà' que significa "luz". A sabedoria de Ifá está baseada nos ensinamentos do profeta histórico Orúnmìlà que recebeu inspiração do Espírito de Ela.

 

Todos os awo (Babalawos) que são iniciados em Ifá são considerados descendentes de Orúnmìlà e portais para o Espírito de Ela como resultado da transformação que acontece durante iniciação em Ifá.

Na Diáspora há algum debate sobre a questão se os Babalawos de Ifá não entram em possessão.

 

Este pode ser um problema semântico baseado nas palavras limitadas em inglês que se aplicam a este tipo de fenômeno.

Não há nenhuma dúvida que os Babalawos entram em um estado alterado de consciência durante divinação. Eles se referem a este estado como "eu retorno ao tempo em que Orúnmìlà caminhou sobre a terra".

Em um nível subjetivo é um lugar de saber profundamente e de se lembrar profundamente. A fim de que o divino esteja apto, a cabeça e o coração devem estar em alinhamento perfeito.

Deste lugar de alinhamento é possível se conectar com formas de consciência no reino invisível. Neste lugar os problemas e soluções aparecerem simultaneamente ao Babalawo.

 

É quase como um reflexo condicionado que dá ao Babalawo uma certeza interna, eles estão caminhando para a resolução de um problema particular.

O estado alterado de Ifá é diferente que as formas de possessão comuns entre os cultuadores de Òrìsà (Forças da Natureza) em rituais públicos.

A Possessão dos Òrìsà tende a ser mais extática e dinâmica, enquanto ser tocado por Ela é mais introspectivo e quieto.

 

Após a conexão entre o iniciado e Ela que é feita durante iniciação, o iniciado tem uma responsabilidade em manter e nutrir esta conexão, caso contrário ela se tornará fraca, inacessível e eventualmente desaparecerá. Esta conexão é nutrida pelo ciclo de oração à Ifá. A disciplina de manutenção do ciclo de oração à Ifá também tem o efeito de tornar o Egbe Ifá mais coeso.

 

 


Os versos sagrados de Ifá;


Base da tradição civilizatoria Yoruba


Os Versos Sagrados de Ifá guardam o multiverso de conhecimento da tradição ioruba. Essas grandes narrativas contêm informações com categorias universais – dados científicos sobre a natureza e os seus fenômenos e manifestações –, singulares – do dia-a-dia da vivência tradicional dos povos iorubanos – e particulares – os valores culturais dessa milenar tradição africana.

É esse reservatório de preservação, transformação e produção de conhecimento social do real deu base para a reinvenção da arquitetura civilizatória desse importante povo da África Ocidental.

Os mitos sagrados trazem os conhecimentos das cartografias cosmológica e geográfica iorubanas. As crianças desse universo cultural têm acesso aos conhecimentos das forças místicas e cósmicas que comandam o universo, seus destinos, as relações terrenas, históricas e culturais. A exemplo de outros povos africanos, os iorubas têm na oralidade os arquivos de sua civilização.

Para esse povo africano, conhecido como nagô no Brasil, a palavra enunciada carrega a força da realização. Eles
consideram a mentira como um câncer, pois ele corrói a construção de cenários favorecedores da suas realizações primordiais na vida: viver muito, viver com condições de sacralizar o universo, amar, ter filhos e vencer as adversidades do mundo.

Dessa forma, a oralidade assume a função de meio condutor dos conhecimentos ancestrais e civilizatórios que ordenam a trajetória dos seus descendentes.

ILE ASÉ: Esses conhecimentos permitiram aos iorubás reorganizarem, pelo mundo afora, suas estruturas culturais. As grandes narrativas, as pequenas histórias do cotidiano e as canções rituais preservaram a moral, a ética e a deontologia de suas relações humanas. A moral iorubana permitiu a reconstituição da cartografia original no ile ase (terra sacralizada pela força ancestral). Na linha histórica das principais casas e terreiros organizados no país, tem-se o registro da ação de homens e mulheres africanos que persistiram na reconstrução de seu universo, destruído pelas forças da escravidão. A força moral e o tirocínio desses primeiros africanos escravizados nas Américas foi
o motor propulsor dessa reorganização.

No início, esses espaços de reconstrução tradicional criaram uma linha de força que preservou a originalidade dessa civilização, ante a força destrutiva da sociedade global. Nesses espaços de rearticulação tradicional, os africanos reconstituíam, paulatinamente, seus valores morais civilizatórios. Tais valores formaram o chassi da reconstrução negra fora da África. As linhas-mestras dessa reconstrução foram os Versos Sagrados de Ifá, vivos na memória coletiva dessa população. A palavra é uma força fundamental que emana do ser supremo ioruba: Olodumare.

Por isso, ela possui um caráter sagrado e divino. A cada novo desafio, a cada nova situação, os velhos e velhas africanos reinventavam novas soluções e respostas. Uma nova folha, uma nova forma de transmissão, um novo modelo de organização.

O xirê orixá, cantado no início dos atos litúrgicos públicos, é uma prova dessa sagacidade e inteligência ancestral.

Nele, as novas gerações conheciam as formas místicas que comandam o universo sagrado ioruba, em especial a relação dinâmica entre o orun (dimensão imaterial da existência) e o aiyê (dimensão material e histórica da existência), e entravam em contato com as energias cósmicas desse povo – representações das forças do universo, dos pontos energéticos da terra, das polaridades de gênero, das cores e suas funções –, com o
universo social e sua ordenação tradicional – cargos, funções e responsabilidades sociais de sacerdotisas e sacerdotes –, e ainda, aprendiam as canções tradicionais, as danças e toques rituais e a relação pedagógica entre as gerações: o aprendizado da boca dos mais velhos para os ouvidos e olhos dos mais novos. Cada uma
dessas opções feitas pelas velhas gerações implicava opções éticas, filosóficas, culturais e civilizatórias.

Ante a divinação e a iniciação nos segredos sagrados desse universo, as novas gerações entravam em contato com as suas potencialidades e limitações sacerdotais: o que comer, vestir, como se comportar ante o sagrado, ante a comunidade, ante o corpo sacerdotal da comunidade e ante a força da sociedade global.


ÉTICA, MORAL E DEONTOLOGIA:

Assim, no universo da educação civilizatória, articulavam-se dimensões morais, condutoras dos comportamentos coletivos e sociais dessa civilização, éticas, condutoras das opções e reflexões cotidianas, que implicavam ações filosóficas e culturais, e deontológicas, condutoras do comportamento ante a comunidade de iniciados e a social global.

Todo esse universo conceitual era transmitido pelas equivalências universais que caracterizam a civilização ioruba em qualquer parte do mundo: a divinação sagrada aos pés de Ifá, para a revelação dos desígnios humanos, a iniciação, marco de ordenação da transição entre o profano e o sagrado, e pelo conhecimento mitológico do panteão: deidades e forças que organizam o cosmo ioruba. Durante muito tempo, o conhecimento da magnitude desse universo cultural ficou restrito às pessoas que se iniciavam nesse universo religioso, excetuando-se os trabalhos acadêmicos e as publicações.

Porém, algumas experiências foram realizadas na transmissão desses valores via escolarização. Alguns terreiros de candomblé organizaram escolas nos seus espaços comunitários. Essas escolas, além das disciplinas formais do currículo escolar, acrescentam elementos do conhecimento ancestral ioruba.

Ensinam-se canções rituais, mitos cosmológicos vinculados às deidades iorubanas, à natureza terapêutica e ritualística das plantas e à presença dos elementos dessa cultura no universo simbólico do brasileiro, na música, dança, literatura, artes plásticas e ciência. Os núcleos que enfeixam os conhecimentos iorubas são ricos em fornecer informações em todas as áreas do conhecimento: universos da divinação; dos processos iniciáticos e da relação com os orixás; do contato com as energias ancestrais, e com o conhecimento litúrgico das folhas.

Dessa forma, universalizam-se as possibilidades de transmissão dos conhecimentos civilizatórios do universo ioruba, dos conhecimentos dos seus valores, e do aprendizado em duas dimensões: o da escolarização e o da educação dos valores universais, presentes nos Versos Sagrados de Ifá, infra-estrutura conceitual sobre a qual repousam os conhecimentos ancestrais ioruba. O percurso dessa experiência evidencia a presença de fortes e profundos elementos africanos e afro-descendentes no universo imaginário brasileiro, no seu dia-a-dia, na sua visão de mundo e no modo de se relacionar com o universo.



Bibliografia:

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BASTIDE, R. O candomblé na Bahia. São Paulo: Companhia, 1978.

ELBEIN DOS SANTOS, J. Os Nagô e a morte: Pàdè, Àsèsè e o culto

Égun na Bahia Petrópolis: Vozes, 1986.

RAMOS, A. As culturas negras no novo mundo. São Paulo:

Nacional, 1979.

RIBEIRO, R. Os iorubas. São Paulo: Ed, Oduduwa, 1996.

VERGER, P. Orixás: deuses Yorùbás na África e no Novo mundo.

Bahia: Corrupio, 1981.

XAVIER, J.T.P Exu, ikin e egan: as equivalências universais no

bosque das identidades afrodescendentes Nagô Lucumi – estudo

comparativo da religião tradicional ioruba no Brasil e em Cuba. Dissertação de mestrado defendida do programa de pós-

Graduação em Integração da América Latina da Universidade de S.

Paulo (PROLAM/USP), 2000.

 

IFÁ; UM LUGAR NA RELIGIÃO TRADICIONAL YORUBÁ

O treinamento dos sacerdotes de Ifá e a mitologia de Ifá dão a esta divindade uma posição única dentre as incontáveis divindades da religião tradicional Yoruba.

Uma vêz que ele é denominado Obarìsà (rei das divindades) pelos sacerdotes de Ifá.

Esta posição de rei que Ifá ocupa entre as divindades Yoruba é o resultado de diversos fatores. Em primeiro lugar Ifá é o porta-voz das divindades e dos ancestrais. É através da divinação de Ifá que os seres humanos podem se comunicar com as divindades e com os ancestrais.

 

Sem ele e sem o sistema divinatório, os seres humanos teriam dificuldade de alcançar os poderes divinos e obter seu favorecimento nas horas de necessidade.

Além disso, Ifá representa um ramo especial da religião Yoruba por causa do seu aspecto intelectual. Neste sentido Ifá é mais que um ramo da religião Yoruba. Ifá é o meio pelo qual a cultura Yoruba se reforma e se regenera e preserva tudo que é considerado bom e memorável naquela sociedade.

Ifá é a cultura Yoruba no seu verdadeiro senso dinâmico e tradicional. Ifá é um meio pelo qual uma sociedade não letrada esforça-se para manter e disseminar sua própria filosofia e valores a despeito dos lapsos e imperfeições da memória humana na qual o sistema é baseado.

Não é surpresa, portanto que Ifá signifique tanto para o povo Yoruba, na sociedade tradicional Yoruba, a vida de cada homem, do nascimento até a morte é dominada e regulada por Ifá. Nenhum homem toma nunhuma decisão importante sem consultar o deus da sabedoria.

Todos os importantes ritos de passagem como cerimônia do nome, coroação de reis e cerimônias fúnebres, tem que ser sancionados e autenticados por Ifá, a voz das divindades e a sabedoria dos ancestrais. Este é o sentido dos seguintes versos existente que diz:

Ifá é o senhor de hoje,

Ifá é o senhor do amanhã;

Ifá é o senhor de depois de amanhã;

A Ifá pertence todos os quatro dias criados pelas divindades na terra

Mas, Ifá é mais que um sistema Yoruba; traços deste fascinante sistema podem ser encontrados em várias outras culturas do Oeste da África, principalemte entre os Edo, Igbo, Ewe, Fon, Jupe, Jukun, Borgu e outros grupos étinicos do Oeste da África.

O estudo detalhado de Ifá e dos sistemas relacionados a adivinhação de Ifá entre estas culturas do Oeste da África, ainda estão para serem explorados.

O que sabemos no momento é que entre os Yoruba, Ifá foi tão intimamente identificado com a mitologia, folclore, medicina popular, história, religião e sistemas de valores da cultura,que é quase sinônimo da própria cultura Yoruba.

 


PORQUE ÒRÚNMILÀ PARTIU DEFINITIVAMENTE PARA O ORUN


Essa história se passa em Ifè, quando Òrúnmilà não tinha filhos e seus opositores se vangloriavam de que ele jamais teria filhos em Ifè. Mas, estavam enganados, pois mais tarde Òrúnmilà teve oito filhos: o primeiro foi Ajerò, o seguindo Olóyémoyin, em seguida Alákegi, Ótangi, Òlélé, Eléjèlúmòpé, Owárangún e o último Olówó, o caçula do grupo e rei da cidade de Òwò.
Durante sua importante solenidade, quando Òrúnmilà celebrava um ritual, ele mandou chamar todos os filhos que haviam se tornado altos chefes de seus próprios domínios. Ao chamado acorreram todos, prestando obediência ao pai, com a saudação àbòrú bòyè bo síse - "que os rituais sejam abençoados e aceitos". Porém, o mais moço dos filhos Olówò, recusou-se a saudar o pai, além de estar vestido do mesmo modo que Òrúnmilà, o que simbolizava sua rejeição à autoridade e superioridade paterna. Permanecendo de pé, provocou um diálogo ríspido com Òrúnmilà, que, enfurecido, arranca o batão de òsùn empunhado por Olówò, o que significava por simbolismo a cassação de sua autoridade. O bastão de òsùn é uma espécie de cajado pertencente a uma antiga divindade yorubá e usado apenas pelos sacerdotes de Ifá, como símbolo de autoridade e superioridade. A retirada do bastão representaria, portanto, a cassação da autoridade que Òrúnmilà havia conferido aos filhos como importantes seguidores de sacerdote.
Mas a reação do pai diante da ação prepotente do filho não parou aí. Provocou o retorno de Òrúnmilà ao òrun, onde se estabeleceu ao pé de uma palmeira de dendezeiro - igi ope - cujos ramos brotavam aqui e ali dezesseis (ikin) coquinhos. O resultado dessa situação foi a fome, a peste, a confusão total na Terra, uma vez que Òrúnmilà representava o princípio da ordem, sabedoria, fertilidade e continuidade na face jovem do planeta. Sua partida da Terra, portanto, trouxe o caos total. As chuvas cessaram imediatamente. O ciclo da fertilidade das plantas e dos animais foi desfeito, ameaçando de total extinção o homem e o seu ambiente. Diante desse quadro, todos aclamavam pela volta de Òrúnmilà. Foram pedir aos filhos que rogassem ao pai pela sua volta a fim de que a ordem pudesse ser restaurada. Quando os filhos chegaram ao òrun, na mitologia yorubá, na época, não havia separação física entre o Céu e a Terra, rogaram ao pai pela sua volta, entoando palavras de louvor. Mas Òrúnmilà negou-se terminantemente a segui-los de volta ao aiye e pediu que todos estendessem as mãos à frente e deu-lhes dezasseis coquinhos - ikin - da palmeira sagrada da divinização de Ifá. Disse ele: "Quando chegarem em casa, se desejarem possuir dinheiro, esposa e filho, é isto que deverão consultar se desejarem roupas, casa de morar e todas as boas coisas da Terra, é isto que deverão consultar".