ODU (s) EXPLANAÇÕES

                 

 

Ogbe-meji

Éo 1º na ordem de chegada do sistema de Ifa, onde é conhecido pelo nome de Ejiogbe. 

Ejionile é o 8º Odu no jogo de búzios; Responde com 8 (oito) búzios abertos.

            Em Ifá, é conhecido entre os Fon (Jeje), como “Jiogbe”. Para melhor eufonia dos cânticos, costuma ter as silabas invertidas para Gbe-Jime.

            Um outro nome com que é muito conhecido é Ogbe Meji, dentro do sistema divinatório de Ifá.

            Ejionile, Jionile ou Jionle, devem ser contrações das palavras Oji lo n’ile, cuja tradução é: “Aquele que possui a Terra (o mundo). “Este Odu recebe ainda, em nagô, os seguintes nomes:

 

Ogbe Oji - Duas palavras (vida e morte).

Oji Nimor Gbe - Eu recebi duas dádivas.

Alafia - Coisas boas.

Awulele - Cumpra com seu sacrificio e serás bem sucedido.

Aluku Gbayi - Aquele que, conhecendo a morte, se ergue sobre o mundo. Ele sabe se agitar ao redor do Sol.

 

           

 

Sua representação indicial em Ifá é:               I                       I          

 

                                                                                  I                       I                      

 

                                                                                  I                       I          

                                                                                  I                       I

 

                       

que corresponde, na Geomância Europeia, a figura denominada “Via”.

 

           

Ejionile é um Odu composto pelos Elementos Fogo sobre Fogo, o que indica dinamismo puro que impede, de forma instintiva, à conquista do objetivo.

 

           

Corresponde ao ponto cardeal Leste, a carta n. 1 do Tarot (O Mago) e seu valor numérico é o 1.

 

            Sua cor é o branco, podendo por vezes aceitar também o azul. É um Odu masculino, representado esotericamente por um circulo inteiramente branco.

 

            O circulo representando Ejionile (Ejiogbe), chama-se Gbe-Me, seu interior é branco, como branco é o amanhecer do dia. ë o universo conhecido e o desconhecido, chama-se em fon, Keze e em yoruba, Aye.

 

           

Ejionile é considerado o pai dos demais Odu, sendo portanto, o mais velho de todos, com excessão de Ofun Meji, de quem foi gerado.

 

            Sua principal função é de proteger o nosso mundo, suprindo-o em todas as suas necessidades e cuidando de sua permanente renovação. Representa o Oriente, é o senhor do dia e de tudo o que acontece durante ele. É responsável pelo movimento de rotação, que provoca, depois de cada noite, o surgimento de um novo dia.

            Controla os rios, as chuvas e os mares, a cabeça humana e as dos animais. O pássaro lekeleke - consagrado a Osalá, o elefante, o cão, a arvore Iroko, as montanhas, a terra e o mar pertencem a este signo, assim como todas as coisas naturalmente brancas.

            Rege o sistema respiratório e tem também, sob suas ordens a coluna vertebral, além de todo o complexo de vasos sanguineos do corpo humano, embora se saiba que o sangue não lhe pertence, mas a Osa Meji.

            As pessoas pertencentes a este odu, são impulsivas, chegando quase a irracionalidade. Seus objetivos devem ser atingidos a qualquer preço, mesmo que represente o sacrifico de outrem.

            Possuem desenvolvimento intelectual mediano, alimentado por uma curiosidade incontrolavel e enfraquecido por imaginação excessiva, que os leva a criar fantasias demasiadamente absurdas.

            Tendem ao vulgar, ao mais facil, ao comum, não se importando muito com a qualidade das coisas.

            Costumam ser diretos e sutileza é coisa que desconhecem quase que totalmente.

 

 

SAUDAÇÕES DE EJIONILE:

 

 

            Em Nago:     

Baba Ejionile alalekun moni lekun oko lola

                                   Omodu aboshun omo eni ko shé

                                   Ileke ri shi ka mu

                                   Ileke omo lori adifafun aladese

                                   Imaparo tin babeledi agogo.

 

 

            Em Fon:       

Mi kan Jiogbe.

                                   Ku li ma nun nu mi o!

 

 

Tradução:    

Salve Ejiogbe.

Que os caminhos da morte não a conduzam a nós!

 

 

EJIONILE EM IRE:

 

            Quando em Ire, Ejionile pode indicar, principalmente: Independência, determinação, um caminho aberto e que deve ser seguido, auto suficiência, vitória sobre o inimigo, dedicação em face de problema próprio ou alheio, desenvolvimento intelectual pela vontade de saber, vitória em problemas de órdem financeira.

 

 

EJIONILE EM OSOGBO:

 

            Em Osogbo, este Odu pode indicar: Perdição pelo jogo, estupidez, teimosia, irracionalidade, ações impensadas que ocasionam problemas, confusão, agressividade, fúria incontrolada, casos judiciais, uma aventura que terá final desastroso, falta de escrupulos, adultério (por parte do cliente), sexualidade excessiva. Fala de doenças (Osogbo Arun) como: anemias, males do estômago, das mamas, da garganta e do ventre, loucura por imaginação excessiva, problemas da coluna vertebral e do olho esquerdo.

            Neste Odu, falam as seguintes Divindades:

            Voduns (Jeje): Hevioso, Sakpata, Lisa, Mawu, Gu e Gbaadu.

            Orisa (nagô): Obatala, Sangô, Ayra, Ogun e Omolu.

 

 

INTERDIÇÕES DE EJIONILE:

 

           

            Ejionile proibe aos seus filhos: Roupas vermelhas, pretas ou de cores demasiadamente escuras; emú (vinho de palma); carne de galo, de cobra e de elefante; bolo de acassa que tenha sido enrrolado em folha de bananeira, pérolas negras, corais negros e onix. Não devem também matar ratos.

 

 

SENTENÇAS DE EJIONILE:

 

(1) Óh Ejiogbe! Que o cheiro da morte jamais se oculte do cão. Que Aklasu (*) possa sempre farejar no ar, o cheiro da morte!

(O cliente vem sendo enganado dentro de sua própria casa e o ebó prescrito, fará com que a verdade seja descoberta).

(2) O buraco abriu a boca. O buraco não abre a boca se nada houver para ser engolido.

(O cliente encontra-se em perigo eminente de morte).

(3) Aklasu encontra um corpo sem vida e diz: “Graças a Ejiogbe, ainda existe alimento para mim”.

(O Odu Ejiogbe, determina que o aklasu se alimente de carniça. Por este motivo, toda vez que o animal encontra um cadáver, dá graças a Ejiogbe. O cliente pra quem for determinada esta sentença, encontra-se em sérias dificuldades).

(4) O Iroko (árvore) e a parasita ava que o envolve, uma vez que se uniram, devem envelhecer juntos.

(O cliente não deve abrir mão do que é seu ou separar-se de um ente querido. Qualquer atitude nesse sentido, lhe trará grandes conseqüências).

(5) Óh, Ifá Ejiogbe! O brilho do Sol desbotará a bela coloração vermelha do agidibaun (**) que vive nas montanhas!

(O cliente não deve expor-se em demasia, para não ver seu prestigio abalado ou diminuído).

(6) As pequenas contas brancas dos colares das sacerdotisas de Obatala, demonstram que inegavelmente, elas são suas esposas.

(O cliente não deve pretender obter coisas, que por direito não lhe pertençam, usando para isto métodos espúrios).

(*) Cão selvagem que habita as savanas).

(**) Espécie de preá de pelo avermelhado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Oyeku Meji, é o segundo odu na ordem de chegada do sistema de ifá.

         Responde com 13 (treze) búzios abertos., é 13º Odu no jogo de búzios é Eji Ologbon no sistema do merindinlogun.

         Em Ifá, é conhecido entre os Fon (Jeje), como “Yeku Meji”, palavra cuja etimologia é desconhecida.

         Existe uma corrente que pretende dar a esta palavra, um significado que está ligado ao termo “ye” (aranha) e “Ku” (morte), por considerar-se a aranha, como um animal de mau agouro e anunciador da morte.

         Em Nagô, o sentido pode ser o seguinte: “Tudo deve retornar depois da morte”.

         Os nomes honoríficos deste Odu são: Alagba Baba Egun (Velho Pai dos Egun) e Alagba Baba Mariwo (Velho Pai do Mariwo), títulos estes, que designam o chefe vivo dos kututo, de quem Oyeku Meji é o chefe espiritual!: Ye-ku-Ma-Yeku (nós somos compostos de carne e de morte): Zã-ki (O dia está morto). Esta última expressão usada pelos arautos (Ago Zãgule) do Abomey, para anunciar a morte do rei, Jioye ou Ejioye (Dois ye, duas mães), evocando como Ejiogbe, a dualidade Céu e Terra.

 

         Sua representação indicial em Ifá é : *   *            *   *                                                                                       *   *            *   *                                                                                        *   *            *   *           

                                                                          *   *             *   *           

 

que corresponde na Geomancia Européia, à figura denominada “Populue”.

         Oyeku-meji é um Odu composto pelos Elementos Terra sobre Terra, o que indica a saturação total, o esgotamento de todas as possibilidades de acrescentar-se algo, o fim de um ciclo, a morte.

         Corresponde ao ponto cardeal Oeste, a carta n. 13 do Tarot ( A Morte) e seu valor numérico é o 16.

         Suas cores são o negro, o branco nacarado e o cinza prateado. É um Odu feminino, representado esotéricamente por um circulo inteiramente negro, o contrário de Ejiogbe (Ejionile). Oyeku é a noite, o inverso do dia; a morte, o inverso da vida.

         Alguns advinhos afirmam que este foi o primeiro Odu a ser criado, tendo perdido o seu lugar pra seu irmão Ejiogbe. Esta opinião, prende-se ao fato de que as trevas existiam antes que fosse criada a luz. Oyeku Meji é essencialmente, o contrário de Ejiogbe, ou sua complementação. Representa o ocidente (Lisaji), a noite (Zan) e a morte (Iku).

         Quando Ejiogbe veio a Terra, não existia a morte, Oyeku aqui a introduziu e dele depende o chamamento das almas e suas reencarnações após cada morte.

         Oyeku participa dos rituais funebres e um pouco das guerras. É ele que comanda a abóbada celeste durante a noite e o crepúsculo.

         Devido a sua influência direta sobre a agricultura e toda a produção agrícola, aqueles que nascem sob este signo poderão ser excelentes agricultores.

         Todos reconhecem neste Odu, uma enorme influência e uma estreita relação com a Terra, o que reafirma sua condição de oposição à Ejiogbe que comanda o Céu.

         Foi este Odú que ensinou os homens a alimentarem-se de peixe. Pouco depois de sua chegada a Terra, começou a chover e junto à chuva, cairam do Céu várias espécies de peixes, que foram levados aos lagos e rios por diverssos cursos d’água. Oyeku, então, disse aos homens surpresos: “Nada existe de mistérioso nisto, estes animais são comestíveis e foi o céu quem os enviou. Podem, portanto, come-los sem qualquer receio.

         Além dos peixes, vieram ao mundo sob este signo o couro do crocodilo, o focinho do hipopotamo, o chifre do rinoceronte, todos os animais de pelo ou de penas que possuem hábitos noturnos, as nodosidades das madeiras e os nós das cordas.

         Representa tudo o que é neutro, ineficiente, fatal. O conformismo, a coisa comum, tudo o que é próprio do indivíduo sem importância. Aquilo que cai, que se decompõe. É o declinio do Sol, o final do dia, o fim de uma etapa, a noite que se aproxima, a morte.

         Anuncia um acontecimento nefasto, uma notícia desagradável, um falecimento, uma condenação na justiça. Determina sempre o fim radical de uma situação, o que pode ensejar ou não, o surgimento de uma condição inteiramente nova.

         Os filhos deste Odu, são pessoas dóceis, de temperamento morbido, que preferem ser dirigidas e orientadas por alguém em quem depositam confiança cega.

         Preferem as coisas simples mas de muito bom gosto, conseguindo reunir desta forma, simplicidade a beleza e a praticidade. Preferem viver em grupo e vivenciar com muita intensidade, os problemas do grupo de que fazem parte.

         Intelectualmente receptivos, tem a capacidade de acumular uma infinita quantidade de conhecimentos sobre os mais variados assuntos, Independente disto, são incapazes de formularem teorias ou idéias próprias e quando o fazem, suas opiniões assumem aspéctos negativos ou demasiadamente místicos.

 

SAUDAÇÕES DE OYEKU-MEJI:

 

         Em Fon:              Mi kan Yeku Meji

                                     Ma ku zan do mi o!

 

         Tradução:          Saudemos Oyeku Meji

                            Para que as trevas da noite não caiam sobre nós!

 

         Em Nagô: Oyeku-meji obetiti omo ki.

 

OYEKU-MEJI EM IRE:

 

         Quando em Ire: Oyeku-meji pode indicar, principalmente: Mudanças para melhor, fim de uma situação desagradável, boa orientação de alguém, que deve ser seguida, desmascaramento de certa pessoa que vem agindo com falsidade no amor, neutralidade em relação a uma briga ou disputa envolvendo outras pessoas.

 

OYEKU-MEJI EM “ IBI”-OSOGBO:

 

         Em IBI, este Odu pode indicar: ineficiência, incapacidade de tomar decisões, queda de situação, morte do cliente ou de uma pessoa ligada (fala principalmente da morte de pessoas do sexo feminino), notícias ruim que está para chegar, rompimento definitivo de qualquer tipo de relação; fim de uma situação agradável, esgotamento de possibilidades e de recursos.

         Em Osogbo Arun, indica problemas relacionados com as vistas, o estômago, do aparelho digestivo em geral, da bêxiga, do útero. Indica ainda, queda de temperatura do corpo, perturbações emocionais e ou psíquicas: anemias, obsessões, alucinações fantasmagóricas.

        

Neste Odu falam as seguintes Divindades:

         Vodun (Jeje):  Gbaadu, Kututo, Toxosu, Dã, Sakpata e Xevioso.

         Orishá (Nagô): Nanã, Iyami Oshorongá, Omolu, Obá, Olokun, Oya, Oshosi, Ogun, Eshú, Egun e Ori.

 

INTERDIÇÕES DE OYEKU-MEJI:

 

         Eji Ologbon proíbe aos seus filhos: O uso de perfumes muito forte e ativos, a ingestão de alimentos demasiadamente condimentados ou de sabor muito forte. A carne do antílope, de veado e de qualquer ave de rapina. O uso de roupas vermelhas, a cultivo em suas casas de plantas que produzem espinhos, como roseiras, cactos, palmeiras, etc.

         Os naturais deste Odu não podem, sob nenhum pretexto, destruir, seja por fogo ou por veneno, qualquer tipo de formigueiro. O vinho de palma (emu) também lhes é proibido.

         Para manterem seu signo em Ire, devem banhar-se com folhas de cabaceira e algas. A pérola negra e o quartzo são excelentes catalizadores das vibrações positivas deste Odu, servindo portanto como poderosos amuletos para seus filhos.

 

SENTENÇAS DE OYEKU-MEJI:

 

(1) A nodosidade da árvore não mata a árvore, o nó da corda não mata a corda, a aspereza do couro do crocodilo não mata o crocodilo.

(O consulente escapará de doenças, de acidentes e de seus inimigos).

(2) Um peixe caiu do céu no país de Alagba e todos gritaram: “É a morte”! E a morte Fa Aiydogun lhes disse:  Peguem estes peixes e tratem de cozinha-los. A morte jamais saberá o que há dentro deles!”

(O cliente ficará curado da doença que o atormenta).

(3) O olho não pode ver através de um pano negro, na escuridão da noite).

(A morte, os acidentes e os inimigos, não molestarão o consulente).

(4) Um advinho chamado Boko Bedibedi, ao ser consultado por Aleshua, rei de Sakete, lhe disse: “A carne do porco contém muita vida, más se tu não a comeres com parcimônia, te fará muito mal”.

(O resultado do que se pretende será bom, mas necessário que se tenha cautela).

(5) A vida é uma mudança constante, mas o camaleão (simbolizado por Shegbo Lisa). Jamais se vestirá com um só pano.

(O rico de hoje, poderá ser o mendigo de amanhã e vice-versa).

(6) Um crocodilo, por maior que seja, não pode abocanhar e engolir os talos espinhosos do dendezeiro.

(É necessário que se respeite o inimigo).